Evolução Exportações Vinho DOP 2019 – 2020

Brasil lidera em valor, EUA em volume e China em preço.

2020 foi um ano atípico em quase tudo . E para o setor do Vinho não foi diferente, quando a pandemia começou a fechar os países sucessivamente, as previsões e os receios não podiam ser piores.

Mas o ano em termos de Exportação foi surpreendente, vários fatores terão concorrido para tal, mas é inegável que o trabalho dos Produtores Portugueses e dos seus Parceiros pelo Mundo trouxe frutos.

A subida das Exportações dos Vinhos DOP (Denominação de Origem Protegida) tiveram um crescimento global de 21,6% em Volume de 2019 para 2020 e em Valor de 14,8%. O que significa uma queda do preço médio por litro de 3,58 para 3,38.

Claro que num ano em que tudo pareceu perdido e que a nível interno, com todas as dificuldades vividas pela Restauração e por todo o canal Horeca, ter-se conseguido de alguma forma compensar com Exportação é excelente.

O Brasil que tem sido um Mercado sempre muito importante para o Vinho Português teve um crescimento de 14,8% em Volume e de 23% em valor, o que significou um crescimento de 7,1% em valor médio por litro, de 3,38 para 3,62.

Mesmo com o Real em baixa relativamente ao Euro e ao Dólar o Brasil teve um aumento de consumo de Vinhos Importados de 26,5% em volume , mas quem ganhou foi a venda de vinhos brasileiros que cresceu 32,4% e, volume.

Se olharmos para os 2 números comparativamente, apesar de positivos para os Vinhos Portugueses, não acompanharam o crescimento global das importações brasileiras de Vinho, com uma diferença de 11% abaixo do crescimento do mercado.

O Brasil é um mercado realmente a apostar, com um crescimento do consumo per capita de mais de 30% de 2019 para 2020. “A Ideal estima ainda que o volume consumido em litros por habitante no Brasil tenha crescido substancialmente. Em 2019, cada brasileiro maior de 18 anos bebia, em média, 2,13 litros de vinho ao ano, segundo a empresa. O resultado apurado de 2020 foi de 2,78 litros no ano.”

Vários fatores alavancaram este aumento do consumo de Vinho em vários Países, nomeadamente o crescimento das vendas online, mas as vendas online são apenas o canal, podem ajudar na motivação com publicidade e simplicidade de ter o produto em casa, mas não são o fator determinante para o aumento do consumo.

Que fatores poderão ter sido determinantes para o consumo de Vinho em casa?

  • O Vinho é considerado uma bebida mais saudável que os destilados e outras bebidas mesmo com menos álcool.

  • Em determinados Mercados como o Brasil, a vontade de consumir vinho tem aumentado por vários motivos, tanto pelo gosto que os consumidores têm ganho pela bebida, mas também por ser considerada uma bebida de classes mais altas.

  • As Redes Socais têm tido um papel determinante no aumento deste desejo, com muitos especialistas, produtores, importadores e o público em geral a debaterem regiões, castas, marcas, anos e de tudo um pouco com grande interesse. Têm-se multiplicado as iniciativas online à volta do Vinho.

  • O Vinho representa valores que outras bebidas dificilmente representam, como história e cultura de cada local, o que torna o consumo e o estudo do Vinho muito interessante e aliciante para os consumidores.

  • O Vinho também é uma bebida que propicia o consumo em casa, é uma bebida para beber em grupo, mas também para beber em família, é um acompanhamento natural da refeição.

Existem certamente mais motivos para o consumo de Vinho em casa ter superado o de outras bebidas.

Em resumo, é importante que Portugal consiga manter o crescimento que teve em determinados Mercados e recupere em outros em que o consumo foi mais afetado. À medida que forem saindo estudos sobre cada país, poderá fazer-se o comparativo entre as exportações nacionais e o consumo em cada país, para termos a perceção do real desempenho do Vinho Português em cada mercado.

Comente e envie a sua opinião.

Pode consultar os números completos das Exportações de Vinho em 2020 no site do IVV - Clique aqui

Pode consultar os números completos das Exportações de Vinho em 2020 no site do IVV – Clique aqui

Rodrigo Quina

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