Entrevista com os “Altos Provadores” – Alexandre & Gustavo

– Quem são os Altos Provadores?

 

Os Altos Provadores nasceram no princípio de 2019, fruto de uma amizade que leva praticamente 20 anos.

Desta amizade surgiu o gosto e a vontade de partilhar, através das redes sociais, algumas experiências gastronómicas e vínicas que íamos vivendo.

Ambos com carreira profissional na indústria hoteleira, no turismo e na restauração, reparámos que nos fomos tornando cada vez mais “exigentes” e curiosos no momento de conhecer um novo lugar.

Para nós estar à mesa com família e amigos sempre foi um dos maiores prazeres na vida e facilmente nos apercebemos que poderíamos, através dos Altos Provadores, aliar esta paixão com a nossa profissão.

 

O objetivo inicial das partilhas não era unicamente comentar a gastronomia, o serviço de sala na restauração e o vinho. Percebemos que as pessoas desempenham, também, um papel crucial quando se trata destas indústrias, pois são elas que fazem os lugares e as experiências.

 

Assim, com vista a valorizar cada detalhe e a harmonia final entre todos eles, o nosso objetivo tornou-se a partilha da experiência no geral!

 

No entanto, o projeto foi crescendo, o feedback do público foi-nos motivando e decidimos fazer algo mais.

Foi assim que desta simples partilha, meramente lúdica, foram nascendo nas nossas cabeças cada vez mais ideias de como este projeto se poderia tornar em algo maior, onde todos os que nos seguiam pudessem também participar com a mesma paixão.

Foi assim que demos início aos nossos eventos privados, que rapidamente se tornaram em experiências enogastronómicas com uma elevada taxa de interesse.

 

– Qual o percurso de cada um e quando se fez o clique da paixão pelo Vinho?

 

Alexandre – Receber pessoas é-lhe intrínseco. Sempre gostou de receber e entreter os amigos. Todas as festas estavam a seu cargo. Não admira que o próximo passo tenha sido tirar um curso de organização de eventos ainda antes de entrar para a Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril onde se formou em Gestão de Empresas Turísticas. A nível profissional tem estado sempre ligado ao turismo, tendo trabalhado no estrangeiro, mais precisamente, no México, onde teve a oportunidade de colaborar em várias cadeias hoteleiras, adquirindo experiência a nível organizacional, linguístico e operacional.

Em Portugal dedicou-se, em grande parte, à gestão de apartamentos turísticos de luxo e ao acompanhamento dos hóspedes durante toda a sua estadia.

O gosto pelo vinho surge numa fase mais recente. Apesar da forte influência do Pai, que desde sempre se dedicou à exportação de vinho, só mais recentemente é que lhe tomou o gosto.

Tem apostado muito na sua formação dentro do mundo do vinho que considera uma mais valia.

No projeto dos Altos Provadores, e como não poderia deixar de ser, tornou-se num verdadeiro Brand Ambassador. A forma como tem vindo a interagir com restaurantes, produtores de vinho, garrafeiras, Sommeliers, entre outros, permitiu-nos estabelecer contacto com pessoas das mais diversas áreas que, tal como nós, partilham o gosto pelo vinho, gastronomia e claro o convívio entre amigos.

 

Gustavo – Os Altos Provadores têm 2 caras. Uma talvez mais extrovertida e outra mais recatada. E esta sim, faz mover grande parte do projeto.

Pensar no Gustavo é pensar em consciência, transparência e pés bem assentes na terra. Tudo na vida deve ter um equilíbrio e aqui esse equilíbrio é dado por ele.

Nascido em Lisboa, mas de família da Beira Interior, foi dividindo a sua infância entre a cidade e o campo.

Hiperativo desde criança sempre procurou estar em constante movimento e evolução, quer física quer intelectualmente. Assim, regeu sempre a sua vida pela busca de conhecer, saber e fazer mais, com uma sede pela vida que não é fácil de encontrar.

A “arte de servir e bem servir” é outra filosofia que anda de mãos dadas com ele, tornando-o exímio quando entra em ação. Foi esta paixão que o levou a tirar o curso de organização de eventos. Queria pôr mãos à obra e estar perto das pessoas.

Posteriormente, entrou na indústria do serviço, onde trabalhou durante mais de 10 anos, chegando a Chefe de Sala num conceituado restaurante em Lisboa. Uma passagem de 1 ano pelo norte de Inglaterra, num restaurante, veio solidificar os seus conhecimentos e as suas aptidões nesta arte.

De regresso a Portugal, conheceu clientes e o país inteiro numa empresa de Tours privados de luxo.

Na sua última aventura, esteve ligado ao vinho do Porto como responsável de loja. Aí adquiriu um vasto know how e consolidou a sua paixão enorme pelos vinhos portugueses.

Sendo um autêntico autodidata, todo o trabalho de imagem e design da página Altos Provadores é realizado por ele.

 

– E a Gastronomia onde entra no casamento com o Vinho?

No nosso país a gastronomia e o vinho andam de mão dada. Há regiões que são conhecidas pelos seus pairings.

É curioso que ambos conseguimos beber vinho sem comida, mas o inverso já não é tão comum.

 

– Chef ou Cozinheiro?

 

A resposta está no prato. O título é secundário.

– Qual a região que mais vos tem surpreendido e qual a que vos iniciou no Vinho?

 

As regiões que mais nos têm surpreendido são a Bairrada e Colares. As duas têm uma coisa em comum: a longevidade.

Curiosamente a região que nos iniciou no vinho, nada tem que ver com os dois: foi o Dão (talvez porque o pai do Alexandre, exportava vinho desta região e era aquele que tínhamos mais acesso)

 

 

– Vinhos estrangeiros, quais as regiões favoritas?

 

Como favorita sem dúvida a Borgonha! No entanto, teremos de destacar Willamette Valley nos Estados Unidos e Marlborough na Nova Zelândia.

 

– Um pairing de sonho!

 

Reserva Especial 2007 com Ensopado de Veado.

 

– O pior pairing que já vos serviram?

 

Felizmente não tivemos muitas más experiências no que toca a maus pairings. Porém, houve uma que nos ficou bastante na memória: Tártaro de Salmão com vinho tinto alentejano cheio de estrutura, corpo e álcool!

 

– Um bom conselho.

 

Façam aquilo que realmente gostam e que vos faz feliz. A escolha é (sempre) vossa!

 

– Um bom livro e que vinho acompanharia.

  

A Arte da Guerra com um Porto Vintage”

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